Antoni Marí
LA IL·LUSTRACIÓ POÈT&K METROPOLITANA & CONTINENTAL
Plurilingual Anthology of Catalan Poetry
Português

 
Antoni Marí
(Eivissa, 1944)


PROCUROU OS LÍMITES DO PENSAR....
OS MEUS JARDINS, QUE BRANCOS!...

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PROCUROU OS LÍMITES DO PENSAR...



Procurou os límites do pensar,
os contornos da mente, as fissuras do sonho.
Tentou realizar-se nas palavras
e na sabedoria que transmitem.

Foi a lugares onde repousa o nada,
onde tudo se encerra na aresta dos nomes
no recinto transparente em forma de palavras
e na imagem que à mente fornecem.

Até ao nada onde vacilam as palavras foi
e no mar da mente o nada dissolveu-se
nas águas das palavras
e na forma de tudo.

Cobriu o nada com a forma das palavras
e deu aos nomes o aspecto da mente,
a aparência de tudo e a sombra
do sentido e do mundo.

O nada desprendeu-se do seu nome
e o inverno fez com que a morte visse,
encerrada na forma das palavras,
a semente do nada e a essência de tudo.

Chegou ao nada e com o nada
se confundiu. Confundido no todo,
com a essência do nada, com a força
das palavras e o inverno do sentido.
 


Translated by Egito Gonçalves
Quinze poetas catalães, Ed. Limiar, Porto, 1994.

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OS MEUS JARDINS, QUE BRANCOS!...



Os meus jardins, que brancos! Que gélidos
os quartos. Que morta a vida
à minha volta. Cristal de neve, salas,
o hálito dos cortesãos como de gelo.
Que curtos são os dias, que escuros
os rincões. Longa a treva dos dias
invernais. Os meus amigos onde estão?
E onde as belas damas, os músicos, as crianças?
Poderá mudar o inverno a vontade do príncipe?
Poderá a sua ánsia dissolver o gelo?
As minhas mãos estão mortas. E gelados
os dedos. Não posso assim pegar a pena
ou tocar a flauta. Não posso com a viola
serenar os ventos, nem fundir a geada
com o arco do violino.

Não posso ler os livros na luz ssetentrional:
minha mente é gelada, tal como o palácio.
Vou morrendo sozinho no meio deste gelo,
não pode nenhum astro estancar-me o pranto.
 


Translated by Egito Gonçalves
Quinze poetas catalães, Ed. Limiar, Porto, 1994.

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