Bartomeu
Rosselló-Pòrcel
(Palma de Mallorca, 1913
– El Brull, 1938)
A
MAIORCA, DURANTE A GUERRA CIVIL
A MAIORCA, DURANTE A
GUERRA CIVIL
Reverdecem ainda aquêles
campos
e permanecem aquêles
arvoredos
e sôbre o mesmo azul
se recortam as minhas montanhas.
Ali as pedras invocam sempre
a chuva difícil,
a chuva azul
que vem de ti, cordilheira
clara,
serra, prazer, claridade
minha!
Sou avaro do que me resta
de tua luz
e que me faz estremecer
quando te evoco!
Ali os jardins são
agora como a música
e me turbam, fatigam com
seu tédio lento.
Ali o coração
do outono já murcha
em harmonia com fumeiros
delicados.
E as ervas são queimadas
pelos cerros
de caça, entre sonhos
de setembro
e névoas tingidas
de ocaso.
Tôda minha vida se
liga a ti,
como na noite, as chamas
à treva.
Translated
by João Cabral de Melo Neto
«Quinze
poetas catalães», Revista Brasileira de Poesia, I,
São Paulo, 1949.

|
|